Estresse aumenta risco de doenças do coração

 Estudo revelou que duplicação dos níveis de cortisol foi associado a um aumento de 90% no risco de problemas cardíacos ou derrame 


Em 23 de setembro é celebrado o Dia Mundial do Estresse. A data tem como objetivo alertar sobre como os hormônios liberados em situações estressantes são prejudiciais à saúde. Um estudo publicado neste mês na revista científica Hypertension corrobora a preocupação: a publicação revela que altos níveis de hormônios de estresse são fatores de risco para o desenvolvimento de hipertensão.

De acordo com os pesquisadores, o agravamento da pressão arterial pode se desenvolver em um período de seis a sete anos em adultos com pressão arterial normal, mas que levam uma vida estressante. Já em um período mais extenso, de 11 anos, concluíram que cada duplicação dos níveis de cortisol foi associada a um aumento de 90% no risco de problemas cardíacos ou derrame.  “É mais comum pensarem no estresse apenas como um problema emocional, mas é preciso compreendê-lo em caráter mais amplo, que realmente traz prejuízos não apenas para a saúde emocional, mas também para a física”, comenta a coordenadora do curso de Psicologia da Anhanguera Brasília, psicóloga Renata Penna Borges Nunes Cambraia.

Em uma situação de estresse, são liberados hormônios como orepinefrina, epinefrina, dopamina e cortisol, que são produzidas na glândula adrenal e servem para diferentes funções no organismo e influenciam no sistema cardiovascular. O estudo realizado pesquisou pessoas que não têm hipertensão, uma novidade, uma vez que pesquisas anteriores só focaram em pessoas já acometidas pela doença.

“Estudos como esse servem de alerta para que pessoas com um bom estado de saúde também precisam se atentar às condições psicológicas e priorizar a manutenção do bem-estar, blindando a mente e o corpo de situações que provoquem estados de estresse”, diz a professora.

Segundo a especialista, apesar de considerado negativo, o estresse tem função essencial no organismo pois orienta o corpo em situações de ameaça. “É um mecanismo de reação a determinados estímulos que podem ser considerados ameaçadores. Nessa resposta, o organismo produz os hormônios o que deixa a pessoa em estar de alerta, com capacidade de reagir”, esclarece.

Embora funcional, situações de estresse em estado contínuo são prejudiciais à saúde. Queda de cabelo, manchas na pele, falta de apetite, sistema imunológico enfraquecido, gastrite, aumento do risco de infarto e de AVC são apenas alguns dos problemas constatados. “O estresse crônico tem efeitos no cérebro. Com a liberação do cortisol, o corpo se mantém hiperativado o que pode provocar ansiedade, prejuízos no sono, problemas de memória e concentração”, diz a professora.

“Outro ponto de atenção também é a sensação de esgotamento que o estresse provoca. Após a situação de sobrecarga no organismo podem se desencadear um sentimento de desânimo, sonolência, indisposição e diminuição do rendimento”, explica Renata. Segundo ela, em quadros mais graves, pode levar à depressão.

Os hormônios do estresse podem prejudicar a produção de outros hormônios, que provem sensação de alegria e bem-estar. “O primeiro passo para vencer o estresse é o gerenciamento das emoções. É importante que a pessoa tenha a compreensão de que tem de fato um problema de saúde e que precisa de tratamento. Também recomenda-se o estímulo de ações que promovam o bem-estar como uma alimentação balanceada, exercícios físicos rotineiramente, boas noites de sono e exercícios de relaxamento”, aconselha. Confira as dicas da especialista para gerenciar as emoções e alívio do estresse:

- Respire lentamente, inspirando pelo nariz e expirando pela boca;

- Sinta os músculos do corpo, relaxando os ombros e aliviando o maxilar;

- Desconecte-se das redes e conecte-se com amigos e familiares;

- Busque atividades relaxantes, priorizando hobbies, atividades que deem prazer;

- Medite, reserve momentos para autorreflexão;

- Busque ajuda de um profissional de saúde: psicólogos e médicos.

 

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