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As oportunidades e desafios das finanças digitais no Brasil são debatidos em evento

                                         

Com o especial propósito de discutir os impactos, desafios e oportunidades que surgirão com as transformações das finanças digitais no Brasil, bem como os preparativos do Banco Central que projeta o lançamento de uma moeda digital no final de 2024, o Conselho Empresarial Brasil-Flórida organizou, no dia 16 de agosto, o webinar “The Future of Money in Brazil: The Path to the Digital Currency” (O Futuro do Dinheiro no Brasil: O Caminho para a Moeda Digital).

 

Sueli Bonaparte, presidente fundadora da Brazil-Florida Business Council, abriu o webinar apresentando o renomado time de especialistas do assunto, estando presentes André Portilho, chefe de ativos digitais da BTG Pactual; Bruno Balduccini, sócio do Pinheiro Neto Advogados e mediador do evento; e Fábio Araújo, diretor e coordenador do Projeto Digital Real do Banco Central do Brasil.

 

André Portilho, representando o BTG Pactual, discorre sobre os primeiros impactos no mercado cripto, relembrando o boom em 2017 quando o bitcoin subiu, e traz uma reflexão sobre a atuação de novas empresas nesse mercado. “Tem empresas, sérias ou não, startups captando dinheiro globalmente, sem intermediário, através da emissão de um token, que não sabemos qual é. Isso está acontecendo porque tem uma tecnologia nova que está permitindo que aconteça. Então, se isso aqui vira moda, é uma transformação muito grande que traz para o mercado de capitais. Temos que entender essa tecnologia”, observa.

 

Provocado pelo mediador Bruno Balduccini, o diretor do projeto Digital Real, Fábio Araújo, explicou sobre o Drex, o novo ativo digital do Banco Central, justificando sua criação, comparando os produtos criados recentemente – Pix e Open Finance. “Tem mais coisas em ativos digitais do que só pagamentos. A gente precisava saber onde o Real Digital se encaixa na linha de inovação que o BC tem tentado promover. É nesse paralelo com o Pix, que democratizou os pagamentos de varejo, que nós pretendemos democratizar usando o open finance e o real digital à prestação de serviços financeiros”.

 

Na sequência, o mediador complementou sobre os impactos dessas inovações. “Como a tecnologia faz impacto. O Brasil sempre foi aberto para competição na área bancária. A gente nunca teve restrição para entrada de capital estrangeiro. A tecnologia permitiu a competição entre bancos que não tem uma rede, ou que não faz sentido ter. A tecnologia DLT (Distributed Ledger Technology) serviu para os dois lados, tanto para o setor privado quanto para o setor público”, destaca Bruno.

 

Sobre as expectativas que o mercado demanda com a chegada de novos produtos financeiros, em especial os digitais, André enxerga um efeito cascata. “Geralmente uma nova tecnologia copia o que a anterior faz de uma forma melhor, mais eficiente e mais barata. E já tem inovação nessa nova tecnologia. O que vai ser interessante é a segunda onda de inovação, onde se dará início a novas interações, e surgirão novos produtos financeiros, novas formas de dar crédito e novas formas de garantia”, diz ele, observando que tais itens devem surgir tão logo numa segunda etapa.

 

Ao ser questionado por Bruno sobre como integrar o cartório no Drex, o representante do Banco Central explicou como uma NFT deve se comportar. “O ponto de integração começa quando se reconhece o NFT como direito de propriedade legal, aí já está integrado e ela já está dentro da rede, ficando tudo dentro da mesma blockchain. O passo fundamental que a gente precisa é construir o arcabouço jurídico que garanta que essa NFT represente de fato a propriedade. A gente tendo essa NFT a gente já tem a escritura”.

 

Por sua vez, Bruno observa que o tema é amplo, e que as pessoas ainda estão presas aos conceitos dos primeiros CBDCs, e que muitas delas acham desnecessário porque já usam o Pix. “O impacto é tão grande que as pessoas têm dificuldade de enxergar casos de uso”.

 

Sobre as consequências que as inovações devem causar no futuro, André entende que as pessoas devem buscar conhecimento e se aprofundar sobre o tema. “Não se deixem ficar míopes por dogmas da narrativa. Os impactos, em tese, podem ser muito mais profundos nos próximos dez, vinte anos. Então quem não está entendendo o que está acontecendo, tem que entender o que o Banco Central está pensando, tem que entender a tecnologia e os impactos dela”.

 

Ao finalizar o webinar, Sueli enaltece e agradece a contribuição dos palestrantes, enfatizando a expertise dos convidados na perspectiva de mercado, e reitera que “um dos objetivos do BFBC é esclarecer e compartilhar assuntos de diversos setores que estejam impactando a comunidade empresarial e de negócios”.

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