Projeto inclui digitalização de plantas, croquis, fotografias e outros registros produzidos pelo paisagista
Preservar e difundir o legado de um dos maiores paisagistas do século 20 é o objetivo do Instituto Burle Marx, localizado no bairro de Laranjeiras, no Rio de Janeiro (RJ). Para avançar nessa missão, a instituição executa um amplo projeto de salvaguarda de seu acervo viabilizado pela Lei Rouanet.
A iniciativa prevê a digitalização de plantas originais, croquis, guaches, desenhos e fotografias produzidos por Roberto Burle Marx e seus colaboradores. Todo esse material está passando por tratamento técnico e catalogação para ser disponibilizado ao público em uma plataforma digital, ampliando o acesso ao conjunto documental do paisagista.
O trabalho se concentra em itens já inventariados, reunindo documentos fundamentais para compreender a atuação de Burle Marx no Brasil e no exterior. Com o apoio de onze empresas, o Instituto Burle Marx já captou R$ 4.238.647,71, cerca de 41% dos R$ 10.249.984,39 autorizados pela Lei Rouanet. As ações continuam abertas para novos aportes.
Organização da sociedade civil sem fins lucrativos, o Instituto nasceu do compromisso dos sócios do Escritório Burle Marx em abrir o acervo ao público. Essa missão, defendida pelo arquiteto Haruyoshi Ono até 2017, é hoje conduzida por sua filha e atual diretora, Isabela Ono, que busca ampliar o diálogo entre o patrimônio deixado pelo paisagista e as novas gerações.
“Aos poucos, esse acervo múltiplo está sendo disponibilizado publicamente por meio de nossas ações, seja por banco de dados ou exposições, e estamos conseguindo, gradualmente, reverberar esse legado. Nossa função principal é preservar, difundir e ressignificar esse patrimônio para inspirar futuras gerações”, afirmou a diretora do Instituto, Isabela Ono.
Sobre o Instituto Roberto Burle Marx
Criador do jardim tropical moderno e referência na integração entre botânica e ambiente urbano, Roberto Burle Marx foi um paisagista de destaque nacional e internacional. Assinou projetos em locais emblemáticos, como o Aterro do Flamengo e o Palácio Gustavo Capanema, no Rio de Janeiro, além de jardins em Brasília, São Paulo, Pernambuco e no exterior. Suas expedições contribuíram para identificar e divulgar espécies nativas, fortalecendo seu papel decisivo na construção do paisagismo moderno.
Já Instituto Burle Marx mantém, estuda e divulga um importante acervo de projetos, desenhos, documentos e pesquisas do artista, contribuindo diretamente para a conservação de jardins históricos, para a formação de profissionais e para o fortalecimento da paisagem como dimensão do patrimônio cultural brasileiro. Por meio de ações educativas, exposições e iniciativas de pesquisa, o Instituto amplia o acesso ao legado de Burle Marx e fortalece o entendimento da paisagem como expressão fundamental da identidade nacional.
Embora tenham nomes semelhantes, o Instituto Burle Marx e o Sítio Burle Marx são instituições distintas. O Sítio Burle Marx, localizado em Barra de Guaratiba (RJ), é um bem cultural tombado e administrado pelo Iphan, reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco.
O patrimônio cultural na Lei Rouanet
Criada em 1991, a Lei Rouanet instituiu o Programa Nacional de Incentivo à Cultura (Pronac), que permite a captação de recursos privados para projetos culturais por meio de renúncia fiscal. No campo do patrimônio cultural, a lei tem papel fundamental ao viabilizar ações de preservação e valorização de bens históricos e artísticos, fortalecendo a memória coletiva, impulsionando a economia local e ampliando o acesso da sociedade à cultura.
Entre os segmentos contemplados estão a educação patrimonial, a conservação e o restauro de bens tombados, a organização e digitalização de acervos, a salvaguarda do patrimônio cultural imaterial, a preservação arqueológica e o apoio ao artesanato tradicional. Dessa forma, a Lei Rouanet contribui para manter viva a diversidade cultural brasileira e assegurar que o patrimônio seja transmitido às futuras gerações.
Por Ministério da Cultura



