Vero Notícias: quando a notícia tem dono e o dinheiro tem destino

É Vero Notícia, o portal dos fantasmas que abasteciam com 23 milhões e deixaram as caras aparecer na sombra

Brasília nunca foi apenas a capital do poder. É também o endereço onde versões se fabricam, narrativas se negociam e silêncios custam caro. Não há inocentes nesse jogo. Há interesses.

No meio desse enredo, o portal Vero Notícias virou personagem, não apenas veículo, mas personagem central de uma história que começa com dinheiro e pode terminar em delação.

O site, que cresceu rápido demais para quem se dizia independente, tem donos que preferem a sombra. Daniel Vorcaro, Gim Argello, Dalide Corrêa e José Roberto Arruda aparecem como proprietários de fachada. Não dividem apenas o negócio, dividem também histórico e proximidade com escândalos que ainda ecoam nos corredores da Polícia Federal.

A vitrine era jornalística. O bastidor, segundo documentos que circulam entre investigadores, era financeiro e robusto.

Notas fiscais e registros de transferências bancárias revelam um fluxo que chama atenção. Recursos saíam do Banco Master, passavam pelo escritório de Dalide Corrêa e Gim Argello, desembocavam no portal Vero Notícias. Valores milionários, frequentes e nada discretos.

Os mesmos documentos estão hoje em três endereços que não costumam errar ao mesmo tempo: o próprio acervo interno do Vero Notícias, a redação do FatosOnline e os arquivos da Polícia Federal.

Não é coincidência, é rastro. Não é inverdade, é Vero Notícias.

Vero, a máquina de fabricar noticias a serviço de Arruda e Gim Argello tem hoje o objetivo atacar a governadora do DF Celina Leão, na tentativa de fazer Arruda que está inelegível voltar ao poder.

Brasília ainda tem na memória a prisão de Arruda por corrupção no escândalo “Caixa de Pandora”, quando era governador do DF.

Gim Argello também passou três anos na cadeia pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. Pelo que se desenha no escândalo Master/ BRB, o bando está com saudades do cárcere e pode fazer companhia a Daniel Vorcaro.

O que se desenha é um modelo conhecido em Brasília, mas raramente documentado com tamanha nitidez. Um veículo que informa, mas também serve, que publica, mas também protege, que ataca, mas escolhe quem não tocar.

Com a prisão de Daniel Vorcaro e o avanço das investigações sobre o eixo BRB/Master, o fluxo de recursos secou e, sem dinheiro, a engrenagem parou. O portal, que parecia sólido, mostrou ser dependente e caiu rápido, quase à estaca zero.

Quando o dinheiro desaparece, a lealdade costuma ir junto e é nesse momento que contratos de gaveta aparecem, cobranças surgem e antigos aliados passam a medir forças.

Nos bastidores, o que se ouve é que o material reunido não apenas compromete, mas explica como o Vero Notícias operava, quem financiava e, principalmente, para quê.

A Polícia Federal já tem as peças, falta montar o quebra-cabeça em público.

E, enquanto isso, a fila anda.

A chamada fila das delações do caso Banco Master cresce a olhos vistos. Depois de Daniel Vorcaro e de seu entorno familiar iniciarem tratativas de colaboração, agora é a vez do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, o PH, sinalizar disposição para falar.

Preso e recolhido à Papuda, PH trocou de advogado e indicou aos investigadores que está pronto para negociar. Pesa contra ele a suspeita de ter participado de um esquema de propina milionária, materializado em imóveis de luxo em Brasília e São Paulo, além de operações consideradas temerárias envolvendo carteiras de crédito e a tentativa de aquisição do Banco Master.

Nos bastidores, já deixou escapar para onde pretende apontar. O nome do ex-governador Ibaneis Rocha aparece no horizonte da possível delação, ao lado de personagens influentes do cenário político nacional.

Mas há um problema para quem chega depois na fila: tempo. Vorcaro já conversa com a Polícia Federal e com a Procuradoria-Geral da República e, em delação, quem fala primeiro costuma levar mais.

Vale a pena lembrar que no rastro do dinheiro ja encontraram o escritório de advocacia de Dalide Corrêa, o Coaf (Conselho de Atividades Financeiras) já identificou movimentações milionárias entre o Master, Gim Argello e Dalide.

Em Brasília, como sempre, não se trata apenas do que será dito, mas de quem dirá antes.

Fonte:  https://fatosonline.com.br/exclusivo-vero-noticias-quando-a-noticia-tem-dono-e-o-dinheiro-tem-destino/

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