Com Pix sob ataque dos EUA e ameaça de "efeito dominó" nos juros, empresas recorrem a soluções ágeis de crédito para blindar caixa

Frente à iminente sobretaxa norte-americana que ameaça inflação e encarece o crédito tradicional, Bankme aponta crescimento na busca por estruturas financeiras próprias e customizadas por médias empresas A escalada das tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos pode gerar reflexos que vão muito além do comércio exterior. Com a proximidade do prazo de 15 de julho estabelecido pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) para definir possíveis medidas tarifárias contra produtos brasileiros, economistas e agentes do mercado já monitoram impactos potenciais sobre câmbio, inflação, juros e crédito. Em um cenário de maior volatilidade, especialistas apontam que empresas de médio porte tendem a buscar alternativas para reduzir a dependência do sistema bancário tradicional e fortalecer sua liquidez. A preocupação ganhou força após a possibilidade de uma sobretaxa de até 25% sobre determinados produtos brasileiros e das críticas da Casa Branca ao Pix, sob a alegação de que o sistema de pagamentos instantâneos prejudicaria empresas norte-americanas. Embora as medidas ainda estejam em discussão, o ambiente de incerteza já influencia decisões de investimento e financiamento no mercado corporativo. Para Thiago Eik, sócio-fundador da Bankme, fintech especializada na estruturação de operações de crédito para empresas, momentos de instabilidade internacional costumam pressionar o custo do dinheiro e tornar o acesso ao crédito mais seletivo. “Quando o cenário externo gera dúvidas sobre inflação, câmbio e crescimento econômico, a consequência natural é um aumento da cautela do mercado financeiro. Nesse contexto, as empresas precisam buscar mecanismos que garantam previsibilidade de caixa e capacidade de financiar suas operações sem depender exclusivamente das decisões dos grandes bancos”, afirma. Segundo o executivo, cresce entre empresas de médio porte a adoção de estruturas financeiras próprias para atender fornecedores, distribuidores e clientes, ampliando o acesso ao capital de giro dentro de suas cadeias produtivas. “O debate sobre soberania financeira não deve ficar restrito aos governos. As empresas também precisam construir autonomia para enfrentar períodos de turbulência econômica. Organizações que conseguem estruturar soluções próprias de crédito tornam-se menos vulneráveis a oscilações de mercado e ganham capacidade de sustentar o crescimento mesmo em momentos de restrição financeira”, explica Eik. O movimento acompanha uma transformação mais ampla do mercado de crédito brasileiro. Com o avanço das fintechs e da digitalização financeira, empresas de setores como indústria, logística, varejo e serviços passaram a acessar instrumentos antes restritos a grandes instituições financeiras, ampliando as opções de financiamento e gestão de capital. Dados da Bankme mostram que a fintech já estruturou mais de 140 operações em 24 segmentos da economia, administrando mais de R$ 300 milhões em capital e ultrapassando R$ 1,5 bilhão em volume transacionado. Para Eik, independentemente da decisão que será tomada pelos Estados Unidos, a discussão evidencia uma tendência que deve ganhar força nos próximos anos. “O Pix mostrou que o Brasil tem capacidade de desenvolver infraestrutura financeira eficiente e competitiva. O próximo passo é ampliar o acesso das empresas ao mercado de capitais e a instrumentos de crédito mais flexíveis. Quanto maior a autonomia financeira das companhias, maior será sua capacidade de atravessar períodos de instabilidade sem comprometer investimentos e crescimento”, conclui. Sobre a Bankme A Bankme é uma fintech que apoia médias empresas na superação dos desafios de crédito e gestão de caixa. Por meio da estruturação de soluções ágeis - viabilizados a partir da criação de securitizadoras, as empresas podem antecipar recebíveis, alongar prazos e rentabilizar capital ocioso com maior autonomia, utilizando recursos dos próprios sócios ou de investidores. Em poucos dias, essas organizações passam a operar com maior eficiência financeira, reduzindo custos e criando novas fontes de receita. Atualmente, a Bankme conta com mais de 200 soluções ativas e possui em seu quadro de investidores a DOMO VC, Apex Partners e Bamboo.

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