Especialista da Hapvida esclarece mitos, defende o papel da rede de apoio e detalha as ações do "Cantinho da Amamentação" para o Agosto Dourado. O atendimento especial estará ativo até dia 31
O Hospital América, da Hapvida, criou o "Cantinho da Amamentação". Localizado no hall da unidade, ele oferece acolhimento extra a gestantes, puérperas e familiares. O espaço, que integra as ações do Agosto Dourado, não substitui a consulta médica, mas funciona como um ponto de apoio prático para dúvidas sobre posição, pega correta e ordenha. A iniciativa faz parte de um conjunto de ações da equipe pediátrica do Hospital América, que promoveu cursos, treinamentos e orientações direcionadas a lactantes, pais e familiares nos períodos pré e pós-parto.
De acordo com o pediatra Danilo Magalhães, médico intensivista neonatal do Hospital América e membro da comissão de aleitamento materno da unidade, todos possuem suas funções bem definidas para garantir um melhor acolhimento para as famílias. "Amamentação é o exemplo mais claro de cuidado que nenhuma categoria resolve sozinha", afirma o pediatra.
A equipe multiprofissional, composta por enfermeiros, pediatras e fonoaudiólogos atua de forma alinhada para apoiar a família. A enfermagem acompanha o processo de sucção e corrige o posicionamento; o pediatra avalia peso, icterícia e sinais de baixa oferta; e a fonoaudiologia realiza o teste da linguinha, atuando nos casos mais complexos.
O médico também derruba mitos que ainda assombram as mães. Sobre o "leite fraco", ele é taxativo: "Leite fraco não existe como categoria biológica. O que existe é um leite que a mãe acha mais fraco, e ele é mesmo! No início da mamada, o leite é mais claro, o teor de gordura sobe ao longo do processo e garante a saciedade do bebê". O especialista ainda alerta sobre oferecer chás ou água nos primeiros meses, trazendo risco real de intoxicação hídrica e ocupação do espaço gástrico, reduzindo a sucção do recém-nascido.
Sobre o tamanho das mamas, a orientação é clara: não há relação com a quantidade de leite. "Quem produz leite é o tecido glandular, e a produção é comandada por prolactina, ocitocina e pela remoção efetiva e frequente do leite", explica. E sobre a dor, ele enfatiza: "Amamentar não precisa doer. Dor que persiste durante toda a mamada, fissura, sangramento não é normal. É sinal de pega inadequada".
O apoio do parceiro e da família também é essencial. "O apoio do parceiro é uma das variáveis mais consistentemente associadas à duração do aleitamento exclusivo", ressalta o intensivista neonatal. Na prática, isso significa assumir trocas, banhos, arrotos e a organização da casa para proteger o sono da mãe.
Por fim, Danilo Magalhães deixa uma mensagem direta para as mães que enfrentam dificuldades: "Quando a fórmula é necessária, ela não é fracasso: é tratamento". Ele pede que as mães não se calem diante da dor. "A maior parte dos desmames que eu vejo não aconteceu por falta de leite nem por falta de vontade, aconteceu por uma fissura que ninguém olhou, por uma pega que ninguém corrigiu, por uma noite ruim em que ninguém ajudou." O Cantinho da Amamentação é uma porta aberta para que essa ajuda chegue no momento certo.


