Você estuda, estuda e não passa?

  Psicóloga alerta para os sabotadores emocionais que podem estar comprometendo seu desempenho

Ansiedade, procrastinação, perfeccionismo, autocobrança excessiva e medo do fracasso. Embora sejam frequentemente vistos como características normais da rotina de quem se prepara para concursos públicos, esses comportamentos podem comprometer o desempenho de milhares de candidatos em todo o país.

Segundo a psicóloga clínica e neuropsicóloga Juliana Gebrim, muitos concurseiros acreditam que o problema está na falta de conhecimento ou na necessidade de estudar mais horas por dia. Na prática, porém, o principal obstáculo pode estar no próprio funcionamento emocional.

“É comum encontrar candidatos extremamente preparados, que conhecem o conteúdo, resolvem questões e dominam o edital, mas não conseguem reproduzir esse desempenho no momento da prova. Muitas vezes, o problema não é intelectual, mas emocional”, explica.

A especialista observa que a pressão por resultados, somada à insegurança e ao medo de errar, pode gerar um estado constante de alerta no cérebro, dificultando a concentração, a memória e a tomada de decisões.

Juliana Gebrim acaba de lançar o livro Como Não Passar em Concursos Públicos - O guia psicológico para fazer seu cérebro trabalhar a seu favor, no qual reúne conceitos da psicologia e da neuropsicologia para explicar por que candidatos inteligentes e dedicados frequentemente encontram dificuldades para transformar o estudo em aprovação. 

Em Brasília, o lançamento acontece no Dia do Psicólogo (27/8), de 19h às 21h, na Livraria Leitura, do ParkShopping Brasília. O evento contará com sessão de autógrafos para o público.

Quando o cérebro trabalha contra você

De acordo com Juliana, o excesso de ansiedade pode levar o candidato a desenvolver comportamentos que, sem perceber, sabotam a própria preparação.

Entre eles estão a dificuldade de manter a constância nos estudos, a procrastinação, a busca incessante pela perfeição, a comparação com outros candidatos e a sensação permanente de que nunca se estudou o suficiente.

“Muitas pessoas acreditam que a autossabotagem acontece apenas quando alguém desiste de um objetivo. Na realidade, ela também aparece em comportamentos sutis, como adiar tarefas importantes, criar metas impossíveis de cumprir ou desenvolver uma autocobrança tão intensa que acaba paralisando a ação”, afirma.

Por que pessoas inteligentes fracassam em concursos?

Para a neuropsicóloga, inteligência e aprovação não são sinônimos.

Ela explica que candidatos com excelente capacidade intelectual podem apresentar dificuldades para administrar emoções, lidar com frustrações e sustentar uma rotina equilibrada de preparação.

“Conhecimento é fundamental, mas não é suficiente. O cérebro precisa estar em condições adequadas para acessar esse conhecimento quando necessário. Quando a ansiedade domina o sistema emocional, o desempenho tende a cair, independentemente da quantidade de conteúdo estudado”, destaca.

O custo emocional da aprovação

Juliana alerta que muitos candidatos acabam negligenciando a própria saúde mental durante a preparação. O resultado pode ser um ciclo de exaustão, culpa e baixa produtividade.

“Existe uma cultura de que o concurseiro precisa suportar qualquer nível de sofrimento para alcançar a aprovação. O problema é que o excesso de pressão costuma produzir exatamente o efeito contrário, comprometendo a aprendizagem e aumentando o risco de esgotamento emocional”, afirma.

Sobre a autora

Juliana Gebrim é psicóloga clínica e neuropsicóloga, especialista em saúde mental aplicada ao universo dos concursos públicos. É autora do livro Como Não Passar em Concursos Públicos – O guia psicológico para fazer seu cérebro trabalhar a seu favor, obra que aborda ansiedade, procrastinação, autossabotagem, equilíbrio emocional e desempenho em provas.

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