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O futuro da segurança patrimonial: a IA no monitoramento, amplificação e não na substituição de seres humanos


Emerson Douglas Ferreira*

 

A aplicação da inteligência artificial no monitoramento da segurança patrimonial não tem como objetivo substituir porteiros e seguranças, mas sim equipá-los com instrumentos sofisticados para detecção antecipada, análise de dados e resposta mais eficaz a situações. A IA não surge para eliminar porteiros e seguranças, mas para fortalecer sua atuação. Especialistas definem que, enquanto a IA é o filtro e o cérebro analítico, o segurança é o agente de decisão e o corpo de ação.

 

Por enquanto, não há um algoritmo que consiga espelhar a percepção humana em face de situações complexas como na vigilância patrimonial. Os porteiros e guardas não se limitam a supervisionar, eles também acolhem os residentes, analisam contextos sociais e fazem escolhas que demandam empatia e discernimento moral. A Inteligência Artificial, por seu turno, pode propor medidas, contudo, quem toma as decisões e age é o ser humano.

 

Nos dias de hoje há o mito da substituição do ‘homem pela tecnologia’ que precisa ser mais bem esclarecido. O conceito de que as máquinas irão ‘substituir" postos de trabalho desconsidera a realidade de fato. O que tem acontecido é uma reestruturação das funções, com os profissionais se transformando em gestores de sistemas inteligentes, expandindo sua capacidade de intervenção.

 

Agora ao invés de monitorar dezenas de câmeras ao mesmo tempo, os profissionais de segurança podem focar em situações críticas, com o auxílio de alertas automatizados inteligentes. Portanto, não é uma questão de substituir pessoas, mas de capacitá-las a lidar com os desafios de um mundo que se torna progressivamente mais complexo.

 

O futuro do trabalho na segurança patrimonial não envolve uma disputa entre humanos e máquinas, mas sim uma colaboração mais estratégica. A inteligência artificial deve ser observada no monitoramento como um aprimoramento tecnológico e não como uma ameaça. Assim sendo, porteiros e seguranças seguirão sendo protagonistas, e agora munidos de dispositivos que os fazem mais eficientes.

 

A inteligência artificial utilizada no monitoramento atua como um amplificador de habilidades. As câmeras inteligentes desta geração são capazes de identificar comportamentos anômalos, reconhecer placas, monitorar permanência irregular em áreas restritas e enviar alertas em tempo real. O ser humano, porém, é quem compreende o contexto, determina as ações a serem tomadas e executa a intervenção. A tecnologia realiza o que faz de melhor, isto é, processar grandes volumes de dados de forma rápida. Já o profissional executa o que nenhuma máquina consegue fazer com a mesma precisão: julgamento, sensibilidade, ética e compreensão das nuances sociais.

 

A IA na chamada detecção proativa é capaz de processar ao mesmo tempo centenas de feeds de vídeo e dados de sensores, detectando padrões anômalos que poderiam passar despercebidos por um ser humano. Os sistemas de visualização computacional podem identificar de maneira muito mais rápida e precisa situações como, por exemplo, um objeto deixado para trás, a presença de alguém em uma área restrita ou a formação de uma multidão. Isso possibilita a identificação antecipada de ameaças antes que elas se transformem em acontecimentos importantes.

 

Na análise de dados e contexto a IA não apenas "observa" como também "analisa" situações e imagens. A tecnologia é capaz de examinar dados históricos, identificar veículos ou pessoas autorizadas e oferecer um contexto importante ao vigilante. Ao invés de apenas visualizar um alarme, o segurança recebe um alerta selecionado que fornece detalhes sobre a localização, o tipo de anormalidade e as melhores práticas de resposta. A IA revoluciona o cenário ao converter o porteiro, vigilante ou segurança de um simples observador passivo para um analista ativo e um agente de pronta resposta.

 

Frequentemente os porteiros e vigilantes enfrentam situações complicadas que ultrapassam um simples registro visual. Um morador exaltado, uma família em situação de vulnerabilidade, um conflito entre vizinhos, um visitante desorientado, em nenhuma dessas situações citadas poderia ser entendida, na prática, segundo modelos matemáticos. Nesses casos, a IA atua como suporte, um segundo olhar sempre alerta, sem distrações ou até afetado pelo excesso de trabalho.

 

Um outro aspecto importante é que a segurança baseada em IA vai inevitavelmente aumentar o nível de profissionalismo. O trabalhador em vez de se restringir à observação de telas ou cumprir rotinas mecânicas, irá desempenhar funções analíticas, interpretativas e estratégicas. No futuro o operador de monitoramento será um analisador de riscos, gestor de dados e coordenador de pronto emprego. Mas isso, exige também formação e capacitação. A mudança será um grande avanço com alta relevância social para essa categoria, que muitas vezes é subestimada e pouco valorizada.  

 

Há outros pontos positivos na chegada de novas soluções, como, por exemplo, a redução de riscos, porque com a antecipação de incidentes, a tecnologia inteligente impede que os profissionais enfrentem situações de violência na primeira interação. A relutância em se adaptar a novos modelos de negócio, se ajustar à IA e não qualificar equipes é o que efetivamente coloca empregos em risco.  

 

Aquelas empresas que apenas desejam a tecnologia como corte de custos provavelmente também terão problemas. Haverá menos inteligência situacional, maior rotatividade de pessoal e outras vulnerabilidades para o negócio. Enquanto isso, as organizações que entendem a tecnologia como aliada da sua equipe terão vantagens como melhor prevenção, eficiência, rapidez, precisão nas ações e principalmente uma segurança mais humana.  

 

Enfatizamos que a Inteligência Artificial não chega para tomar o lugar de porteiros e seguranças, ela chegou para que eles consigam fazer melhor o que sempre foi insubstituível no trabalho humano, ou seja, no caso da segurança patrimonial e perimetral, cuidar, decidir, interpretar e proteger com tirocínio as pessoas e o patrimônio.

 

Na parceria máquina e ser humano a eficiência da segurança não se restringe apenas à detecção, ela também abrange a avaliação situacional e a tomada de decisões principalmente as mais complexas e com dilemas éticos. Nessa demanda a habilidade humana de julgamento, empatia, negociação e improviso são altamente valorosos.

 

No caso específico de julgamento e ética, uma máquina pode detectar uma anormalidade, mas apenas um ser humano pode decidir se a circunstância requer uma intervenção policial, médica ou apenas um simples alerta. Em situações de crise as sutilezas do comportamento humano e as escolhas éticas exigem capacidades que a IA não possui como a inteligência emocional e social.

 

Ao liberar a IA para tarefas repetitivas de monitoramento contínuo, a equipe profissional pode concentrar sua atenção e tempo de retorno, para alcançar uma resposta eficiente, nos alertas mais importantes e na gestão direta da crise. Munido de informações em tempo real, um porteiro tem a alternativa de acessar as forças de segurança ou emergência com grande precisão, otimizando a resposta e, principalmente, economizando tempo e potencialmente salvando vidas.

 

Para concluir, o receio de ser substituído deve ser convertido em motivação para se requalificar. A implementação da IA como foi mencionado e repetido não substitui sempre o porteiro ou segurança. Em vez disso, pode oferecer a ele um ‘copiloto digital’, que automatiza as atividades repetitivas e coloca a segurança em primeiro lugar.

 

 

*Emerson Douglas Ferreira é administrador e especialista em inteligência de negócios e inovação com inteligência artificial, auxiliando empresas e executivos na tomada de decisão e transformação digital, atuando na área de TI desde 1989; É CEO e fundador da Meeting Soluções Estratégicas.

Mais informações eferreira@meeting.com.br


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