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| Sheila da Silva Souza, analista de engenharia na Sousa Andrade Construtora (Créditos - Divulgação Sousa Andrade Construtora) |
No
Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, dados contextualizam a
crescente presença feminina na construção civil brasileira – segundo o
Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), o número de mulheres no setor cresceu
22% entre 2022 e 2024. Em um recorte mais amplo, informações do Painel da
Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) indicam que, entre 2006 e 2023, a
quantidade de profissionais com carteira assinada na área saltou 184%. Ainda
que o setor siga predominantemente masculino, os números mostram um avanço
simbólico. Em Goiânia, essa presença se traduz em trajetórias de mulheres que
vêm consolidando espaço nos canteiros de obra.
A
analista de engenharia na Sousa Andrade Construtora, Sheila da Silva Souza, que
assumiu o cargo recentemente, protagoniza uma história de superação e
resiliência – aos 44 anos, a colaboradora se formou em Engenharia Civil pela
Universidade Paulista (UNIP) em Goiânia, em dezembro do ano passado, conquista
que garantiu sua promoção em 2026. Há um ano e três meses na empresa, enquanto
ainda estudava, Sheila começou no canteiro de obras como encarregada
de abastecimento, sendo promovida a encarregada de alvenaria e, finalmente,
chegando ao Departamento de Engenharia.
Segundo
a colaboradora, o novo cargo é a realização de um sonho. “Eu
atuo na construção civil desde adolescente, quando ainda ajudava um tio que era
pedreiro, e o meu sonho sempre foi ser engenheira. Não pude estudar quando era
mais nova, mas então, na primeira chance que tive, concluí o Ensino Médio em
2016 e em 2020 corri atrás de uma bolsa para cursar a faculdade”, conta.
Durante esse tempo, Sheila, que é mãe de três filhos e já tem um neto, precisou
equilibrar as demandas da família, trabalho e estudos. “Não foi fácil, mas eu
consegui”, comemora.
Em
uma área que ainda é predominantemente masculina – principalmente dentro dos
canteiros de obra – Sheila diz se sentir vitoriosa. “Eu fui a primeira mulher a
assumir o cargo de encarregada em uma obra da Sousa Andrade, e aconselho outras
mulheres a nunca desistirem de seus sonhos. Como minha mãe sempre me dizia,
‘lugar de mulher é onde ela se sente bem’, e hoje me sinto realizada dentro da
empresa”, afirma. A Head de Gente da construtora, Jéssica Borges, reitera a
importância de viabilizar oportunidades e investir na carreira de mulheres. “Na
Sousa Andrade, acreditamos que desenvolver mulheres e criar caminhos reais de
crescimento fazem parte da nossa estratégia. A excelência que buscamos nas
obras começa nas pessoas. A trajetória da Sheila nos enche de orgulho e traduz
esse compromisso”, ressalta.
Protagonismo na Segurança do Trabalho
A
engenheira em segurança do trabalho Elisângela Alves Faria, de 38 anos, é
responsável pela segurança dos colaboradores em todos os canteiros de obras da
CMO Construtora em Goiânia. Há 15 anos na empresa, ela deu início à sua jornada
de aperfeiçoamento profissional ainda durante o estágio, em 2009. “Entrei como
estagiária, me formei no ano seguinte e fui efetivada como técnica de
segurança. Em 2012, fui convidada a assumir a coordenação, enquanto cursava
Engenharia de Produção. Em seguida, cursei Engenharia Ambiental e, ao
finalizar, fiz uma pós-graduação em Engenharia de Segurança e Trabalho. Pude
contar com a CMO durante todo esse processo, com bolsas de estudos e a aposta
na minha capacitação”, conta.
Para
a profissional, o seu maior desafio é conscientizar o trabalhador sobre a
importância da execução segura do ofício realizado. “É preciso que todos
compreendam a importância do cumprimento das normas de trabalho, que são
garantias em benefício não só da empresa, mas de cada indivíduo. Eu me dedico a
essa conscientização e me atento para prever situações de risco
antecipadamente”, explica. Para ela, ser mulher acaba sendo um diferencial. “Claro que existe o desafio de conquistar confiança e
comprovar a sua capacidade, mas a sensibilidade feminina permite uma postura
mais acolhedora. As equipes se sentem à vontade para expor fragilidades e pedir
ajuda. Eu acabo sendo uma espécie de suporte psicológico também. Muitos abrem
seus problemas, desde financeiros até familiares, e eu acho importante
representar esse apoio, para que a segurança conquistada seja em todos os
quesitos”, garante.
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| Francisca Francicleide Tavares, gerente de Segurança do Trabalho na EBM Desenvolvimento Imobiliário (Créditos - EBM Desenvolvimento Imobiliário) |
Também
atuando na Segurança do Trabalho na construção
civil há 17 anos, Francisca Francicleide Tavares,
41, hoje gerente da área na EBM Desenvolvimento Imobiliário, encontrou no
canteiro de obras um lugar para construir sua história. Sua trajetória começou
como estagiária, concluiu o curso técnico e, movida pela vontade de crescer e
se consolidar profissionalmente, avançou até a pós-graduação. Foi nesse
percurso que se firmou na construção civil. “Quando conheci a Segurança do
Trabalho, me identifiquei de imediato. Me apaixonei não só pela engenharia em
si, mas pelo propósito de proteger vidas. Garantir que cada etapa seja
executada com segurança e responsabilidade é o que me motiva todos os dias”,
afirma. Na EBM, Tavares descobriu um ambiente com liberdade de exercer
liderança com autonomia real, conduzindo as decisões do seu trabalho. “Me sinto
realizada. Poder contribuir com a segurança dos colaboradores, estruturar
processos e participar de projetos estratégicos me traz muito orgulho. É
gratificante fazer parte de uma organização que valoriza resultado,
responsabilidade e evolução contínua”, destaca.
Fora
do ambiente profissional, ela reconhece que conciliar carreira e vida pessoal
ainda é um desafio, mas encara essa realidade de frente. “Acredito que,
culturalmente, ainda exista um peso maior para nós, pelo acúmulo de múltiplas
responsabilidades. Mas aprendi que organização, limites claros e priorização
são essenciais. Equilíbrio não significa dividir tudo igualmente todos os dias,
mas saber ajustar conforme as fases da vida. É um exercício constante, mas
possível”, comenta. Ao refletir sobre a própria trajetória, a engenheira
entende que sua atuação vai além das entregas técnicas e dos resultados
operacionais. “Ocupar posições de gestão é consolidar
espaço, demonstrar competência todos os dias e liderar com firmeza e
sensibilidade. É provar que capacidade não tem gênero. Tenho muito orgulho da
minha caminhada”, pontua.
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| Ana Laura Mendonça, engenheira civil na Opus Incorporadora (Créditos - Divulgação Opus Incorporadora) |
Da gestão aos canteiros, elas estão à frente
Na
Opus Incorporadora, a presença feminina não é exceção é liderança consolidada
em diferentes frentes do negócio, do administrativo aos canteiros de obra. A
engenheira Maria Luiza Carvalho Meirelles é um exemplo dessa trajetória. “Comecei como estagiária e precisei conquistar respeito
técnico em um ambiente majoritariamente masculino, sendo também muito jovem.
Cresci assumindo responsabilidades, buscando aprender além do esperado e
mantendo postura firme. Hoje, participar da entrega do apartamento e da realização
do sonho do cliente é o que me motiva”.
O
caminho de Ana Laura Mendonça, também engenheira na Opus, reforça esse
movimento. Ela iniciou em 2016 como estagiária de engenharia civil, ainda no 4º
período da faculdade, acompanhando obras. “Muitas vezes
precisamos demonstrar conhecimento técnico mais vezes do que um homem na mesma
função. Cresci quando deixei de apenas executar e passei a decidir, assumindo
responsabilidades mesmo sob pressão. Hoje entendo que não gerencio apenas uma
obra, mas riscos, pessoas e expectativas. Liderar é sustentar decisões com
estratégia, coerência e visão de longo prazo”, afirma.
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