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| A dor pode interferir nas atividades mais simples do dia a dia (Foto: Freepik) |
Estresse,
excesso de telas, noites mal dormidas e automedicação podem contribuir para o
aumento das crises de cefaleia
Crises frequentes de dor de cabeça podem estar relacionadas a diferentes fatores e não devem ser ignoradas, principalmente quando começam a interferir na rotina e na qualidade de vida. No Dia Nacional de Combate à Cefaleia, a coordenadora da linha neurológica dos Hospitais Anchieta, Ana Kariny Bezerra, alerta para a importância da investigação médica diante de dores recorrentes.
“Muitas pessoas acabam se adaptando ao sofrimento e passam anos sem um diagnóstico adequado. Além do impacto na qualidade de vida, algumas cefaleias podem estar relacionadas a alterações hormonais, emocionais, neurológicas e até doenças que precisam de avaliação médica”, explica.
Entre os tipos mais comuns está a enxaqueca, caracterizada por dor intensa, geralmente pulsátil, frequentemente em um lado da cabeça e acompanhada de sintomas como enjoo, sensibilidade à luz e ao barulho. Já as cefaleias tensionais costumam provocar sensação de pressão ou aperto na cabeça.
A neurologista alerta que alguns sinais exigem atenção imediata, como dores muito intensas e súbitas, diferentes do padrão habitual, além de sintomas como febre, desmaios, convulsões, perda de força, alteração na fala ou confusão mental.
Estilo
de vida pode influenciar nas crises
Sono irregular, excesso de telas, estresse, ansiedade e alimentação inadequada estão entre os fatores que podem contribuir para o aumento das crises de cefaleia, especialmente em pessoas predispostas à enxaqueca.
“O estilo de vida atual tem impacto importante no aumento das cefaleias. Longos períodos em frente às telas, noites mal dormidas, estresse constante e ansiedade funcionam como gatilhos importantes para muitas pessoas”, pontua a neurologista.
Ela também chama atenção para a influência dos hábitos alimentares nas crises. Jejum prolongado, excesso de cafeína, bebidas alcoólicas, alimentos ultraprocessados e produtos ricos em conservantes estão entre os gatilhos mais comuns.
O uso frequente de analgésicos sem orientação médica também pode agravar o problema ao longo do tempo e levar à chamada cefaleia por abuso de medicação, quando a própria medicação passa a perpetuar as crises.
Crianças
também podem sofrer com cefaleia
Embora muitas pessoas associem o problema apenas aos adultos, crianças e adolescentes também podem apresentar crises de dor de cabeça. Irritabilidade, queda no rendimento escolar, vômitos frequentes, sensibilidade à luz, isolamento e mudanças de comportamento podem indicar a necessidade de investigação médica, principalmente quando os episódios passam a se repetir.
Nos últimos anos, os tratamentos evoluíram significativamente. Hoje existem abordagens mais individualizadas, medicamentos específicos para prevenção da enxaqueca e estratégias integradas voltadas à mudança de hábitos e melhora da qualidade de vida.
“Hoje existem tratamentos eficazes e muitas pessoas conseguem voltar a viver bem após o diagnóstico correto. A principal orientação é observar os sinais do corpo e procurar ajuda quando a dor começa a interferir na qualidade de vida”, finaliza Ana Kariny Bezerra.



