Danúbio Remy, mestre em Direito Público e Eleitoral, alerta para crescimento da judicialização digital nas eleições de 2026
Mesmo distante do início oficial da campanha eleitoral, pré-candidatos de todo o país já passaram a enfrentar monitoramento cada vez mais rigoroso de suas atividades nas redes sociais. Publicações políticas, vídeos institucionais, impulsionamentos, agendas públicas e estratégias digitais começaram a entrar no radar de adversários, equipes jurídicas e órgãos de fiscalização eleitoral.
O movimento tem ampliado a preocupação entre lideranças políticas e profissionais do Direito Eleitoral diante da possibilidade de crescimento das disputas judiciais ainda no período pré-eleitoral.
Para o advogado Danúbio Remy, mestre em Direito Público e Eleitoral, a dinâmica das campanhas mudou completamente nos últimos anos, especialmente após a consolidação das redes sociais como principal ferramenta de comunicação política.
“As campanhas deixaram de ter um marco exato de início. Hoje existe uma construção permanente de imagem pública nas plataformas digitais, o que naturalmente aumenta os conflitos envolvendo propaganda antecipada e exposição política”, afirma.
Segundo Danúbio Remy, o cenário atual exige atenção redobrada de agentes políticos, principalmente diante da ampliação da fiscalização sobre conteúdos publicados fora do calendário oficial das eleições.
“Muitas vezes o debate não está apenas no conteúdo em si, mas na forma da divulgação, no contexto da publicação, no impulsionamento e até na frequência daquela exposição digital”, explica.
Nos bastidores políticos, partidos e pré-candidatos já intensificaram o acompanhamento jurídico preventivo sobre postagens, vídeos e ações institucionais nas redes sociais. A preocupação cresceu principalmente após decisões recentes da Justiça Eleitoral envolvendo propaganda antecipada, abuso de poder político e promoção pessoal fora do período permitido.
Outro ponto que passou a chamar atenção é o fortalecimento da chamada “campanha permanente”, modelo em que agentes públicos mantêm atuação digital constante durante todo o mandato, muitas vezes com estrutura profissional de comunicação, produção audiovisual e estratégias de engajamento.
Na avaliação de Danúbio Remy, esse novo ambiente tornou muito mais complexa a interpretação da legislação eleitoral.
“O grande desafio da Justiça Eleitoral hoje é encontrar equilíbrio entre liberdade de expressão, atividade política legítima e eventual abuso da exposição digital com finalidade eleitoral”, pontua.
Especialistas do setor avaliam que as eleições de 2026 deverão registrar aumento significativo de representações envolvendo redes sociais, sobretudo em situações relacionadas a impulsionamento irregular, promoção antecipada de candidaturas e uso político da estrutura pública.
Com campanhas cada vez mais antecipadas e digitais, o acompanhamento jurídico passou a ocupar posição estratégica dentro das articulações políticas.
Para Danúbio Remy, a tendência é que o Direito Eleitoral atue de maneira cada vez mais preventiva nos próximos anos.
“A disputa eleitoral moderna não começa mais apenas nas convenções partidárias. Hoje ela se desenvolve diariamente no ambiente digital”, conclui.



