Conscientização contribui para reduzir riscos e preconceitos relacionados à doença falciforme

 

Foto: Magnific

Condição genética hereditária pode provocar crises de dor, anemia e complicações em diferentes órgãos do corpo


Crises intensas de dor, anemia crônica e internações frequentes fazem parte da rotina de milhares de brasileiros que convivem com a doença falciforme, uma condição genética que afeta o sangue. Além do impacto na qualidade de vida, a enfermidade pode comprometer o funcionamento de órgãos importantes quando não é diagnosticada precocemente ou acompanhada de forma adequada.

 

Celebrado em 19 de junho, o Dia Mundial de Conscientização sobre a Doença Falciforme chama atenção para uma enfermidade que ainda enfrenta desafios relacionados à informação, ao acolhimento e ao acesso aos cuidados necessários.

 

De acordo com o hematologista dos Hospitais Anchieta e Anchieta Unique, João Pitaluga Neto, ampliar o conhecimento da população sobre o tema é fundamental para reduzir riscos e garantir assistência adequada.

 

“Muitas pessoas ainda desconhecem os impactos provocados pela doença ao longo da vida. A conscientização ajuda a reduzir preconceitos, favorece o reconhecimento dos sintomas e contribui para que o paciente receba atendimento adequado quando precisa”, afirma.

 

Caracterizada por uma alteração na hemoglobina, proteína responsável pelo transporte de oxigênio, a enfermidade faz com que as hemácias assumam um formato semelhante ao de uma foice em determinadas situações. Essa mudança dificulta a circulação sanguínea e favorece o surgimento de diversas complicações.

 

Entre os sinais mais frequentes estão a anemia crônica, a icterícia, caracterizada pelo aspecto amarelado dos olhos e da pele, e as crises de dor. Na infância, também é comum o aparecimento da chamada síndrome mão-pé, que provoca inchaço doloroso nas mãos e nos pés.

 

Segundo o especialista, os impactos da doença vão além dos sintomas físicos. As crises podem comprometer a rotina escolar, profissional e social, além de gerar desgaste emocional devido às internações recorrentes e à imprevisibilidade dos episódios dolorosos.

 

Cuidados começam nos primeiros dias de vida

 

O diagnóstico costuma ser realizado logo após o nascimento por meio do teste do pezinho, exame oferecido pelo Programa Nacional de Triagem Neonatal. A identificação da condição permite o início de medidas preventivas e do acompanhamento especializado ainda nos primeiros meses de vida.

 

“Quando o acompanhamento começa cedo, conseguimos reduzir significativamente o risco de complicações. Vacinação adequada, prevenção de infecções e monitoramento regular fazem diferença na trajetória desses pacientes e contribuem para uma melhor qualidade de vida”, ressalta o hematologista.

 

Sem assistência adequada, podem surgir complicações graves, como acidente vascular cerebral (AVC), síndrome torácica aguda, feridas de difícil cicatrização, necrose óssea e comprometimento progressivo de órgãos como rins, coração e pulmões.

 

Avanços ampliam perspectivas

 

Nas últimas décadas, os avanços no tratamento têm contribuído para melhorar a expectativa e a qualidade de vida dos pacientes. O uso da hidroxiureia consolidou-se como uma das principais estratégias para reduzir crises dolorosas e a necessidade de transfusões sanguíneas.

 

Além disso, o transplante de medula óssea permanece como a única possibilidade de cura definitiva para casos selecionados. Mais recentemente, terapias gênicas e técnicas de edição genética vêm abrindo novas perspectivas para o futuro.

 

Apesar dos desafios impostos pela enfermidade, os avanços no tratamento e o acompanhamento adequado têm permitido que pacientes tenham mais qualidade de vida e maior controle sobre a condição.

 

“A doença falciforme não deve ser encarada como uma sentença de limitações. Com cuidados contínuos, adesão ao tratamento e acompanhamento especializado, é possível ter qualidade de vida. Para a sociedade, o mais importante é compreender que a dor desses pacientes é real e merece atenção. Conhecer é o primeiro passo para cuidar melhor”, destaca o médico.

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